Um raio de sol antes da faculdade
Faltam poucos meses para o fim do Terceirão, e com eles vem uma pergunta que a maioria dos alunos da 3ª série carrega em silêncio: como é, de verdade, o que vem depois do Ensino Médio? Não a versão que aparece em folder de faculdade. A versão real, com dúvida, tropeço e escolha no meio do caminho.
Foi para responder essa pergunta que a escola organizou o encontro Raio de Sol, no salão da EIC, no dia 1º de setembro de 2026. A proposta era simples: sentar os alunos com quatro pessoas que já passaram por onde eles estão prestes a passar.
Dois dos convidados carregavam algo em comum com a plateia: também foram alunos da EIC. Maria Luísa Reiter da Silva estudou na escola de 2004 a 2019, desde a Educação Infantil, e hoje atua como arquiteta autônoma, formada em Arquitetura e Urbanismo pela UNIGRAN. Heitor Oliveira Barbosa também passou pela EIC desde pequeno, concluindo o Ensino Médio em 2012, e hoje é advogado, formado em Direito pela UCDB, com pós-graduação em Direito do Trabalho pelo Damásio e pelo Centro Universitário Instet. Ele também preside a Comissão dos Advogados Trabalhistas e é conselheiro da OAB-MS na 4ª Subseção de Dourados e Itaporã.
As outras duas convidadas vieram de fora da escola, trazendo outro tipo de bagagem. Luciana Azambuja, comunicóloga com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, coordena o curso de Publicidade e Propaganda e leciona na UNIGRAN. Viviana Modesto Alves, publicitária especializada em Marketing Digital e Político, também com MBA em Gestão Empresarial, atua como formadora geral da Mídia do Instituto Encheivos do Espírito Santo e docente da UNIGRAN.
As perguntas feitas aos quatro não vieram de um roteiro pronto de professor. Nasceram dentro da própria sala de aula, nas aulas de Projeto de Vida, onde os alunos foram conduzidos a refletir sobre o caminho que têm pela frente, do vestibular à universidade, da universidade ao mercado de trabalho. Foi ali, sob orientação da professora Janice Rodrigues de Menezes, que os próprios estudantes construíram as perguntas que mais tarde levariam ao salão da EIC.
Existe um motivo prático para reunir ex-alunos e profissionais externos numa mesma conversa, além do simbólico. Pesquisas sobre orientação de carreira mostram que ouvir alguém próximo em idade e trajetória, o chamado mentor de geração próxima, tem um efeito diferente de ouvir um adulto distante da própria realidade do jovem. Esse tipo de conversa aumenta a confiança do estudante nas próprias escolhas e reduz a ansiedade natural da transição para a vida adulta. Um ex-aluno contando como foi o primeiro ano de faculdade carrega um peso que nenhuma palestra institucional consegue reproduzir.
E foi isso que aconteceu no salão da EIC. Os convidados falaram sobre os desafios que encontraram na faculdade, sobre as conquistas que vieram depois e sobre as escolhas, muitas vezes incertas na hora, que acabaram formando o caminho profissional de cada um. A coordenadora de Ensino Religioso Celina Pereira Oliveira, o coordenador Roberto Takashi Fujino, a orientadora educacional Sidirlei Pitteri Camacho Pepinelli, a professora Janice Rodrigues de Menezes e a psicóloga escolar Daniela Oliveira Cardoso acompanharam o encontro do início ao fim.
Lívia Rossi e Laura Tiemi, alunas da 3ª série, estavam entre as estudantes que levaram suas perguntas para os convidados naquela tarde. O encontro terminou com um coffee break, e foi ali, entre café e conversa solta, que boa parte das trocas mais sinceras aconteceu, longe do formato de pergunta e resposta.
Nenhum dos convidados trouxe resposta pronta sobre o futuro de ninguém. Trouxeram, só, a prova de que existe caminho depois da dúvida, mesmo que esse caminho, como o de dois deles, tenha começado nos mesmos corredores onde a 3ª série está agora.