Um dia em Campo Grande, uma história que não estava no mapa

ESCOLA FRANCISCANA IMACULADA CONCEIÃÃO
Um dia em Campo Grande, uma história que não estava no mapa
Alunos do 6.º ano da EIC durante visita cultural a Campo Grande, 26 de junho de 2026.

Quando um aluno do 6.º ano sobe num ônibus para Campo Grande, ele sabe que vai passear. Mas nem sempre sabe que vai se deparar com um dinossauro, com 5 milhões de litros de água e com a história de um menino que usava tênis e jeans e foi canonizado santo pelo Vaticano. No dia 26 de junho de 2026, os alunos da Escola Franciscana Imaculada Conceição foram.

A primeira parada foi o Parque das Nações Indígenas, um dos maiores parques urbanos do Brasil com mais de 116 hectares no coração de Campo Grande. O nome do parque já conta uma história: cada uma das seis entradas leva o nome de uma nação indígena que habita ou habitou o Mato Grosso do Sul, como os Guarani, Kadiwéu e Terena. Dentro do parque, pesquisadores já encontraram vestígios de povos pré-colombianos no solo, o que levanta a possibilidade de que aquela terra tenha sido habitada muito antes da chegada dos portugueses.

Foi lá dentro que ficou a segunda parada: o Museu das Culturas Dom Bosco, fundado em 1951 por padres salesianos que viveram entre os povos indígenas do centro-oeste. Em 1991, o Papa João Paulo II visitou o museu. Hoje, o acervo reúne artefatos únicos de etnias como Tukano, Bororo e Xavante, além de fósseis, minerais, insetos e animais empalhados que parecem ter vida. Para os mais curiosos: a coleção bororo do museu é a maior e mais completa do mundo. E dá para ver de perto o Mesosaurus brasiliensis, um dinossauro pequeno, mas que viveu há mais de 250 milhões de anos.

Do museu, o grupo foi para o Bioparque Pantanal. É o maior circuito de aquários de água doce do mundo: 21 mil metros quadrados, 33 tanques, 5 milhões de litros de água e mais de 450 espécies. O projeto foi assinado pelo arquiteto Ruy Ohtake e inaugurado em 2022. Mas o dado mais impactante não é o tamanho. É que boa parte dos peixes dentro dos tanques veio direto do Pantanal, capturados em expedições científicas que envolveram universidades e a própria Marinha do Brasil. Piranhas, jacarés, pacus, dourados e espécies de cinco continentes diferentes convivem ali, num ecossistema recriado debaixo de um teto.

A última parada foi diferente. A Igreja onde o primeiro milagre de São Carlo Acutis foi reconhecido não aparece em muitos roteiros turísticos, mas tem uma história que vai parar em Roma. Em 2013, um menino chamado Matheus, com uma condição congênita grave no pâncreas, tocou uma relíquia de Carlo durante uma missa e foi curado. Os médicos não encontraram explicação. O Vaticano analisou os exames, consultou especialistas independentes e reconheceu o milagre oficialmente, abrindo caminho para a beatificação e, depois, a canonização. Carlo Acutis morreu em 2006, aos 15 anos. Era italiano, usava jeans, jogava videogame, criou um site para catalogar milagres eucarísticos ao redor do mundo, e em setembro de 2025 foi canonizado pelo Papa Leão XIV, tornando-se o primeiro santo da geração millennial. Campo Grande está no meio dessa história. E os alunos do 6.º ano da EIC estiveram onde ela começou.

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