Superação. Assim os professores estão enfrentando os novos desafios do isolamento social

Escola Franciscana Imaculada Conceição
Superação. Assim os professores estão enfrentando os novos desafios do isolamento social
Aulas por vídeo são ministradas desde a Educação Infantil (foto). Cada nível está encontrando seu caminho nessa nova experiência remota

Ao mesmo tempo que o movimento mundial de enfrentamento ao Covid-19 abalou o planeta com a exigência do isolamento social, essa situação também gerou novas modalidades de convivência entre instituições e pessoas. Neste contexto, família e escola remodelaram seus papéis, responsabilidades e atuações distintas a fim de continuar suas rotinas.  O homework (trabalho em casa) é a nova forma de manter as instituições funcionando e as adequações acontecem de forma intensa e desafiadora para pais, professores e estudantes.  

Profissionais acostumados ao contato direto em sala, agora têm que se adequar ä nova realidade para exercer sua profissão em frente a uma tela de computador. Vários são os desafios dessa nova realidade e professores de todos os níveis estão enfrentando suas limitações, reinventando suas práticas e exercendo o aprendizado pessoal para não desapontar seus alunos. É um pouco dessa nova realidade que eles compartilharam conosco.

Professora do Maternal, Natália Martins Oshiro, considera que a maior dificuldade é conseguir engajar atividades que motivem as crianças e também os pais, principalmente dos alunos menores. Isso porque no ambiente escolar é criada uma rotina dinâmica para a realização das atividades e para prender a atenção das crianças, diferentemente das atividades on-line. “Por mais que expliquemos a atividade e fique bem claro o que deve ser feito, são as famílias que estarão participando desse momento com as crianças em casa, diferente do ambiente e momento proporcionado pela escola”, observa a professora.

Natália encara como uma vitória pessoal nesse processo a sua necessidade de ter que se “reinventar” profissionalmente para planejar e produzir as aulas on-line. “Acredito que a partir do momento em que você pesquisa, estuda e realiza outros meios de produzir a sua aula, isso já está sendo muito válido para o crescimento pessoal, principalmente ao gravar vídeos, o que é algo que nunca havia feito antes e que tenho muita dificuldade, porém após muitas tentativas estou conseguindo fazer e alcançar os objetivos propostos”, comemora.

Mas nem tudo são flores nessa nova realidade. A professora Joyce Besen, que atua nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, por exemplo, tem duas filhas pequenas que precisam de sua atenção de mãe para as próprias tarefas escolares. “Minha maior dificuldade está sendo administrar as atividades via hangout, fazer vídeo-aulas em casa, atender as minhas filhas ao mesmo tempo, ser professora delas também. A exposição em frente à câmera nunca foi meu forte, mas estou conseguindo me reinventar a cada semana. Passei pelo desespero, medo de não conseguir e vontade de desistir. Atualmente estou vivendo um dia de cada vez e acreditando que eu posso fazer o meu melhor’, testemunha ela.

Medo do novo o que define o ponto inicial desse processo para Idiane Correia, professora de inglês dos anos iniciais do Ensino Fundamental. E o não estar com os alunos na sala era a sua maior dificuldade. Mas isso são coisas do passado. “Estamos nos aperfeiçoando em áreas que jamais pensaríamos usar para chegar até o aluno, fazer os vídeos como se estivéssemos na sala de aula, usar sua imaginação para que fique natural como na aula presencial... usar novos aplicativos... tudo isso é novidade para nós e estamos nos superando, a cada dia, para levar conhecimento para eles [os alunos]”, enxerga ela agora. Quanto ao fato de ser professora no bilíngue, Idiane salienta que “a preocupação é maior pelo fato de falarmos só em inglês, mas eu vi vídeos dos alunos assistindo e repetindo o que nós pedíamos e foi muito gratificante”, diz.

A veterana Martha Teixeira da Silva, professora de matemática do Ensino Médio, reconhece que tem dificuldades para lidar com tecnologias, mas se diz “muito bem assessorada pela coordenação”. Para driblar essa limitação, o marido da professora colocou um quadro no escritório onde acessa a plataforma da Escola e ela passou a dar suas aulas on-line com o auxílio do quadro. “Estou fazendo o que sei e mais gosto, dando aula. Os alunos têm acessado as aulas, fazem muitas perguntas e estamos resolvendo muito mais exercícios do que em sala porque agora eles estudam a teoria sozinhos e resolvemos os exercícios juntos”, testemunha a professora. Marthinha, como é carinhosamente chamada pelos alunos, sempre esclarece as dúvidas trazidas e está orgulhosa por receber elogios como feedback. “É uma experiência nova, difícil, trabalhosa, mas que está compensando ao ver a satisfação dos alunos”, considera ela.

Orquestrando todas essas realidades, a supervisora pedagógica, Eliane Maria Amaro, elogia a equipe. “É admirável mediar e acompanhar o trabalho da coordenação, orientação e professores. Como cada um tem dado o seu melhor, num esforço coletivo de continuar a educação de excelência, mesmo que seja de forma remota. Temos consciência que o melhor seria dar a aula de forma presencial, mas agora vigora o isolamento social e precisamos gerar uma corrente solidária de entreajuda de forma que a vida seja preservada. Quanto aos trabalhos pedagógicos de atendimento remoto, estamos realizando um esforço diário de polir as arestas e melhorar a cada dia, sempre respeitando as orientações legais do campo da saúde e da educação. Afinal o objetivo legislacional da educação básica é educar e cuidar”, diz ela.

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