O que é Steam?

ESCOLA FRANCISCANA IMACULADA CONCEIÃÃO
O que é Steam?
Daniel Tiepo

A educação tecnológica tem progredido na EIC de uma forma consistente e permanente. Para o próximo ano letivo o avanço para as turmas de 5º, 6º , 7º  e 8º anos do ensino fundamental, entretanto, não é a única novidade da área. A escola está com nova parceria com a empresa Viva Inteligência Educacional, que esteve em Dourados para treinar o corpo pedagógico na abordagem Steam, uma tendência internacional que será utilizada nas aulas para potencializar as habilidades dos estudantes. Conversamos com o gerente educacional do grupo Santana (do qual a Viva é o braço educacional), Daniel Tiepo, sobre esse universo que se abre a partir do ano letivo de 2025. Com vasta experiência na área (é formado em história, pedagogo e trabalha com a ferramenta Lego há 15 anos), ele apresenta o novo projeto.

 

Departamento de Comunicação – O que é a abordagem Steam e o que ela traz de novo?

Daniel Tiepo – É o que, corretamente também se chama de educação tecnológica, e tem conceitos de Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP, ou PBC em inglês). Ou seja, é um novo paradigma de educação. A ideia agora não é mais olhar para o aluno de forma individual, mas colocar ele dentro de um protagonismo coletivo, colaborativo. A ideia é de que as crianças, desde a educação infantil, desenvolvam habilidades de resolução de problemas, que vão muito além do produto em si.

Departamento de Comunicação – Como as peças Lego Education entram nesse processo?

Daniel Tiepo – O Lego Educatinon é uma ferramenta usada para instigar os alunos a resolverem problemas do mundo real. As crianças têm ideias muito mais criativas que a gente e vão trabalhar em grupos e buscar resolver problemas do mundo real usando o material. Desafios como construir uma torre bem alta. Eles costumam criar torres tão altas, que acabam caindo. Qual a reflexão que a gente tem? Que o segredo para construir torres tão altas é ter uma base larga, que sustente a altura. Esse desafio eles adoram. Além disso, podem usar projeção de carrinhos Lego Education e medir distâncias - em palmos e depois com fita métrica e mais tarde, usando fórmulas da física – cronometrando tempos. É um tipo de abordagem que fortalecerá não só as áreas de exatas, fazendo os alunos observarem os fenômenos, mas também a criatividade, o design, a ergonomia, o aspecto mais artístico e criativo. Hoje a abordagem Steam vai potencializar o inglês, o socioemocional, é uma área transversal e não podemos enxergá-la como uma disciplina isolada; pelo contrário, eles irão usar diversas abordagens.

Departamento de Comunicação – Isso deve preparar para o mundo corporativo que os estudantes encontrarão no futuro?

Daniel Tiepo –  A escola é o microcosmos da sociedade, ela é um exemplo da sociedade. Então, o que ela faz é preparar esses estudantes para o futuro. Que futuro é esse? É difícil acertar, mas sabe-se que ele é complexo, não é simples. As profissões do futuro vão exigir cada vez mais preparo emocional, competências e habilidades práticas, por exemplo, o domínio da língua inglesa, a compreensão de tecnologias diversas, como elas funcionam. Hoje, somos usuários da tecnologia, quem sabe nossos estudantes possam ser criadores de tecnologia no futuro. Acho que é um pouco nesse sentido que a gente vai preparar os estudantes. Obviamente que cada ser humano tem suas habilidades, tem suas preferências e é justamente colocando eles para trabalharem em equipe que cada um pode mostrar seu potencial, aprender com o outro, não só fazer, mas pensar, compartilhar argumentos, ideias. É um trabalho holístico que tem muitos aspectos, entre eles a cultura maker, do saber fazer, ter conhecimento de como as coisas funcionam.

Departamento de Comunicação – Como a inteligência emocional entra nesse ambiente de desafios?

Daniel Tiepo – Os estudantes amam quando são desafiados porque isso os instiga a buscar soluções. O que vejo entre os jovens é que é preciso um ambiente propício para que eles possam trazer às ideias à tona, argumentar seus pontos de vista. Nem sempre a gente vai concordar com o outro. Então, um debate respeitoso, claro, em que as pessoas podem dizer o que pensam, como pensa, é um aspecto importante em qualquer ambiente de trabalho ou escolar. A inteligência escolar está muito conectada com nosso dia a dia, em vários aspectos, para que a gente possa assumir os nossos   erros, refletir sobre como é a melhor forma de corrigi-los, pensar sobre nossas ações, planejamentos e execuções, sobre liderança. Então, em alguns trabalhos é preciso liderar, em outros, vamos aceitar a liderança do colega. Diante de situações reais de solução de problemas, os alunos cometem erros e é preciso refletir sobre eles e assim também é em todas as áreas do conhecimento.  É muito importante elogiar o colega quando ele faz um bom trabalho, saber pedir desculpas quando você comete um erro no sentido de magoar alguém, é muito importante respeitar as emoções, os afetos, saber conviver em sociedade. A educação tecnológica não substitui o projeto socioemocional, o potencializa. Isso vai trazendo cada vez mais aquela experiência que ele [estudante] vai precisar quando estiver no mundo do trabalho.

Departamento de Comunicação – Você passou dois dias intensos com a equipe da escola, preparando os professores e apresentando o projeto às famílias. Como vê esse processo de formação na escola?

Daniel Tiepo – Aqui estou muito impressionado, de uma forma positiva, com a força da equipe. Há muitas educadoras focadas nesse processo, a coordenação, a direção... É um trabalho feito a muitas mãos, muitas cabeças unidas por um propósito que é levar a educação de qualidade, promover o futuro. A equipe pedagógica tem que ter esses momentos de reflexão interna, formação continuada, preparação. E é isso que estamos fazendo esses dias aqui. Estou muito feliz, a equipe é muito consciente da missão. As ferramentas, obviamente, contribuem, mas a metodologia e a consciência pedagógica é que fazem acontecer o processo educacional. Utilizando Lego Education temos a qualidade do produto e o engajamento do estudante porque estamos falando a linguagem deles.  

Notícias