Meu Corpinho: proteção que começa pela escuta
Existe uma frase que resume o que motivou dois dias inteiros de atividade na escola: criança orientada não fica calada. Não é um slogan bonito. É uma constatação difícil, que carrega dentro dela um problema real: muitas crianças não sabem identificar quando algo está errado, não sabem que podem dizer não, não sabem a quem recorrer.
Foi para enfrentar esse problema que a psicóloga escolar Daniela Oliveira Cardoso propôs o projeto Meu Corpinho, voltado à Educação Infantil, nas turmas de Pré I e Pré II, e ao Ensino Fundamental, do 1º ao 5º ano, nos períodos matutino e vespertino, incluindo o Polo. Nos dias 26 e 27 de agosto de 2026, essa proposta saiu do papel.
A condução ficou com a educadora e compositora Andressa Yurie S. Verão, acompanhada de sua equipe, formada por Mariana Coelho e Jaqueline Campos. A intervenção começou com acolhimento e apresentação, e logo emendou num momento de quebra-gelo com a música Cabeça, Ombro, Joelho e Pé, cantada em grupo. Foi esse gancho leve que abriu espaço para o assunto principal: reconhecer as partes do corpo, entender a diferença entre o que é público, privado e íntimo, e aprender palavras simples como não e pare como ferramentas reais de proteção.
Um dos momentos que mais chamou atenção foi a forma como as crianças foram guiadas a diferenciar tipos de carinho. A explicação foi direta: um carinho saudável traz bem-estar, alegria e segurança, e nunca precisa ser escondido. Quando um carinho causa tristeza, medo, vergonha ou desconforto, isso é um sinal, e sinais existem para serem contados a um adulto de confiança. As crianças foram incentivadas, ali mesmo, a nomear esses sentimentos e a entender que podem, sempre, pedir ajuda.
"Criança orientada não fica calada. Ouvi essa frase há dois anos num seminário de prevenção e ela tem sido um norte pro meu coração. Trabalhar a prevenção é fundamental, e nossa missão é chegar antes que algo aconteça, garantindo um futuro onde toda criança se sinta ouvida, respeitada e protegida."
A fala é de Andressa Yurie S. Verão, responsável pela condução da atividade. Para a psicóloga Daniela Oliveira Cardoso, o projeto tem uma base clara: a responsabilidade pela proteção é sempre do adulto, nunca da criança.
"Falar sobre prevenção não é assustar ou colocar sobre a criança a responsabilidade por sua própria proteção. A responsabilidade é sempre dos adultos. Nosso papel, enquanto família, escola e rede de proteção, é oferecer conhecimento, escuta, acolhimento e segurança. Cuidar também é ensinar a criança que ela pode falar."
A diretora Ir. Adriana Renata Santos apoiou a realização do projeto dentro da escola, que contou também com o envolvimento dos professores de cada turma e de toda a equipe pedagógica. Dois dias de atividade, uma música de quebra-gelo, algumas palavras simples ensinadas com cuidado, e um recado que a escola espera que cada criança carregue consigo: a voz dela importa, e sempre vai existir alguém disposto a escutar.