Alunos desvendam realidade dos venezuelanos no Brasil

ESCOLA FRANCISCANA IMACULADA CONCEIÃÃO
Alunos desvendam realidade dos venezuelanos no Brasil
Ao ficar frente a frente com as dificuldades das entrevistadas, estudantes viram a imigração sob outra perspectiva

O que motiva a vinda de venezuelanos para o Brasil? Quais dificuldades essas pessoas encontram como imigrantes? Que mudanças houve em seus estilos de vida? Como está sendo a adaptação cultural e quais suas projeções futuras? Respostas para essas e outras perguntas foram obtidas no último dia 19, no auditório da EIC, quando estudantes da 1ª série do Ensino Médio estiveram frente a frente com Ana Moreno e Rosana Daza, duas venezuelanas radicadas em Dourados.

A entrevista é a primeira de uma série de atividades que serão desenvolvidas ao longo do ano letivo, as quais culminarão na gravação de um podcast. Os alunos dos Itinerários de Ciências Humanas e Linguagens, além do cumprimento da grade das disciplinas, pesquisam e se preparam para falar com propriedade sobre os diversos contextos migratórios.

“Esta experiência faz parte de um trabalho que será realizado de forma conjunta. Os professores dos componentes curriculares de Literatura, História, Geografia, Filosofia, Arte e Língua Portuguesa orientarão, ao longo do ano, atividades que versam sobre o tema que perpassa todos os componentes: questões migratórias no contexto histórico e contemporâneo. Para que o trabalho desenvolvido seja de fato uma investigação que contempla a realidade desta temática, ouvir as narrativas de pessoas que deixaram seu local de origem para construir outra história no Brasil é de suma importância”, revela a professora de língua portuguesa, Adrieli Svinar, orientadora da atividade com o professor de geografia, Aido Domingues.

Ana Moreno chegou ao Brasil em 2021, é advogada de profissão na Venezuela e aqui trabalha como professora de língua espanhola em uma escola de idiomas de Dourados. Rosana Daza chegou ao Brasil em 2015, era professora na Venezuela e aqui é doutoranda do curso de Letras da UFMS, escritora e também professora de língua espanhola.Rosana já publicou três livros, um dois entitulado "Mujer Inmigrante".

A aluna Maria Eduarda Pereira Santos, que encaminhou a entrevista, se mostrou impactada com a experiência. “Meu olhar mudou. Querendo ou não, há todo um preconceito enraizado, estruturado. Quando vejo um venezuelano pedindo no semáforo, dá mais vontade de ajudar porque cada um tem uma história, eles passaram muitas coisas para estarem ali. Você sair de seu país, da sua origem, das coisas que ama para estar num país totalmente desconhecido, passando por necessidades que não deveriam acontecer, sem ter o básico proporcionado pelo seu país, é muito difícil. Minha visão mudou muito em relação a isso”, disse. “Acima de tudo, foi um contato intimista com o outro, uma maneira de exercitar a empatia e de ressignificar a maneira como essas pessoas são vistas pela sociedade”, considerou a professora sobre a experiência.

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