A Páscoa dos colaboradores: quando a água amarga se torna doce
Existe uma pergunta simples que a Páscoa faz para todo mundo, independentemente da idade ou da função: o que você está carregando que já é hora de soltar? Para os alunos, essa pergunta chegou em suas celebrações. Para os colaboradores da Escola Franciscana Imaculada Conceição, ela chegou no dia 02 de abril, em um momento pensado especialmente para quem faz a escola acontecer todos os dias.
O fio condutor da celebração foi um texto do livro do Êxodo, o episódio de Mara, as águas da amargura. Um povo que saiu livre do Egito, mas que no primeiro encontro com a dificuldade murmurou. A água que encontraram era amarga e não podiam bebê-la. O Senhor intervém, a água se torna doce. A pergunta que ficou no ar foi direta: quantas vezes a nossa vida tem sido esse mar de Mara? E quem somos nós nessa história, o povo que murmura ou Moisés que obedece?
A partir daí cada colaborador recebeu um papel e foi convidado a escrever o que precisava ser entregue: pesos, frustrações, o amargo que ainda ocupava espaço. Amassado com vontade, cada papel foi depositado na água, num gesto que não era simbólico por acaso. Em seguida, um segundo momento: as sete frases de Jesus na cruz, um convite para que cada um olhasse para a própria vida à luz delas, no silêncio, nos corredores, longe do celular e da rotina.
E como ápice desta manhã, Jesus vem ao encontro de cada coração para ser adorado, ele que se fez pão entregando seu corpo para salvar a humanidade.
A reflexão franciscana também esteve presente. São Francisco, que viveu a Páscoa não como conceito abstrato, mas como força capaz de transformar o ser humano, foi lembrado como referência de quem soube carregar a cruz sem pular etapas, passando pelo Calvário para, de fato, poder viver a ressurreição. Um convite à comunidade educativa da EIC para fazer o mesmo, primeiro entre si, nas relações de coleguismo, para que isso alcance os alunos e as famílias.
O que cada colaborador levou desse momento é pessoal e intransferível. Mas o efeito coletivo é visível: uma equipe que viveu junta um instante de pausa, de entrega e de renovação chega ao dia seguinte diferente. Não resolvida, mas mais leve.
A Escola Franciscana Imaculada Conceição entende que sua missão não termina na porta da sala de aula. Cuidar de quem cuida não é um detalhe. É uma escolha que diz muito sobre o que a escola acredita ser. O ato de ensinar é, em sua essência, um encontro de comunhão, e isso começa dentro de casa.
Que o que foi solto na água não volte. E que o que foi acendido continue iluminando.