A Matemática estava ali o tempo todo, só precisava de um olhar diferente
Quantas vezes um aluno olha para uma janela, uma porta ou um corredor da escola sem perceber que está diante de um problema de matemática? O desafio da educação matemática não é convencer o aluno de que a matéria é importante. É fazer com que ele veja o que já estava lá. Foi exatamente isso que o Professor de Matemática Fabrício Germany propôs para as turmas do 9º Ano A e B.
A atividade partiu de uma ideia simples e poderosa: sair pela escola com um olhar investigativo. Os alunos fotografaram objetos do ambiente escolar, elementos do cotidiano que normalmente passam despercebidos, e os trouxeram para dentro do estudo da simetria. Depois de registrar as imagens, o trabalho foi feito em duplas: cortar a foto ao meio e duplicar o lado recortado para verificar se os dois lados se correspondiam, testando na prática se aquele objeto era ou não simétrico.
A simetria é um dos conceitos matemáticos mais presentes no mundo real, de folhas de plantas a fachadas de prédios, de rostos humanos a logotipos. Quando o aluno sai para fotografar e depois analisa o que trouxe, ele percebe que a matemática não foi colocada no mundo pela escola. Ela já estava lá, esperando ser reconhecida. Esse é um dos momentos mais importantes da formação matemática: o instante em que o conceito abstrato encontra o objeto concreto e o aluno percebe que um explica o outro.
O trabalho em duplas também não foi por acaso. A discussão entre pares é uma das estratégias pedagógicas mais eficazes para o aprendizado matemático. Quando dois alunos precisam chegar juntos a uma conclusão, eles argumentam, revisam, testam hipóteses e constroem o raciocínio de forma colaborativa. O erro vira parte do processo, não o fim dele.
A Escola Franciscana Imaculada Conceição acredita que matemática bem ensinada é matemática que o aluno reconhece fora da sala de aula. O projeto Matemática em Foco é uma expressão concreta dessa crença: não basta ensinar o conteúdo, é preciso mostrar onde ele vive. E quando o aluno descobre isso sozinho, com a câmera na mão e a tesoura na mesa, o aprendizado não precisa mais ser cobrado. Ele simplesmente acontece.