A história saiu da escola e foi para o sofá de casa

ESCOLA FRANCISCANA IMACULADA CONCEIÃÃO
A história saiu da escola e foi para o sofá de casa
Berçário prestando atenção a leitura do livro "A Borboleta Espoleta". - 28/04/2026

Quando foi a última vez que alguém contou uma história para você? Não leu, não colocou para tocar, mas contou, olho no olho, com voz e gesto? Para crianças pequenas, esse momento é muito mais do que entretenimento. É linguagem, é vínculo, é o começo de tudo que vem depois na vida escolar. Foi com essa convicção que a Educação Infantil da Escola Franciscana Imaculada Conceição lançou, em abril, o projeto "Os Contadores de História", que envolve todas as turmas da EI, do berçário ao Polo, e que vai muito além dos muros da escola.

A pesquisa em desenvolvimento infantil é consistente: crianças que crescem em ambientes onde histórias são contadas regularmente desenvolvem vocabulário mais amplo, maior capacidade de atenção, imaginação mais ativa e, mais tarde, uma relação mais natural com a leitura. Contar histórias não é um recurso pedagógico secundário. É um dos gestos mais poderosos que um adulto pode oferecer a uma criança pequena. O projeto nasceu justamente para levar esse gesto para dois lugares ao mesmo tempo: a escola e a família.

O início aconteceu na semana do Dia do Livro Infantil. Cada professora escolheu um espaço da escola para apresentar à turma o material que compõe o projeto e contar a história escolhida para sua turma. A partir daí, o projeto ganhou vida própria.

O funcionamento é simples e cheio de intenção: a criança leva para casa uma lata personalizada contendo um livro literário, um caderno de registros, fantoches ou dedoches e demais acessórios para contar a história junto com a família. O compromisso é devolver o material em até dois dias. E o registro fica por conta de cada família, à sua maneira, seja por relato escrito, desenho ou foto colada no caderno.

Esse detalhe não é pequeno. Ao deixar o registro aberto, o projeto respeita a diversidade de cada família e convida todos, independente do nível de escolaridade ou do tempo disponível, a participar do mesmo jeito. O que importa não é como o registro é feito. É que o momento aconteceu.

A Coordenadora da Educação Infantil Fernanda Fugiwara Gabatel Barbosa explica o que move o projeto: "nesta fase escolar é fundamental que os livros e as histórias façam parte da rotina de atividades. Por meio de momentos lúdicos podemos despertar o interesse da criança para que ela se apaixone por livros e que a leitura não seja uma obrigação e sim um momento envolvente e prazeroso."

O que as crianças levam dessa experiência não é apenas a memória de uma história ouvida. É a memória de um momento vivido em família, com atenção, com presença e com afeto. E quando um livro está associado a uma lembrança assim, ele nunca mais é só papel.

A Escola Franciscana Imaculada Conceição acredita que a formação de leitores começa antes da alfabetização e não acontece só dentro da sala de aula. Acontece também no colo, no sofá, na voz de quem a criança mais ama. Criar uma ponte entre a escola e a família por meio da literatura é uma das escolhas mais bonitas que uma escola pode fazer. O projeto segue até que cada criança tenha levado sua lata para casa. E cada história contada é mais um tijolo numa vida que vai querer, para sempre, mais histórias.

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